quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

APRESENTAÇÃO DO TCC: DIAS DE ENCONTROS... FORTALECIMENTO DE LAÇOS... DE APRENDIZAGENS...






Parecia tão longe e ao mesmo tempo tão perto. Marcada a data para para apresentação do TCC deu-se início a uma catarse de ansiedades. Uma teia maravilhosa se formou: o que você acha do meu pôster? Devo falar isso ou aquilo? Como você está?... Vixe... foi um reboliço só. Até que o dia 16 de novembro de 2010 surgiu. Muito quente e mais quente ainda os ânimos dos cursistas em geral. Muitos abraços... Ah, é você! Foi delicioso fazer parte desse momento. O nervosismo inaugural deu lugar à segurança das apresentações. Quanta produção! Jamais pensei vivenciar um momento dessa magnitude.

O CAIU NA REDE EJA conquistou um monte de pessoas interessadas naquele fazer inovador e ao mesmo tempo simples. Valeu!

Nossa turma PE04 foi bastante elogiada pela simpatia e união que demonstrou e isso não foi surpresa. Sabia que seria assim. Formamos uma comunidade ímpar, de fortes laços e isso nos fez fortes. Obrigada a todos e a todas é só o que me resta fazer, além é claro, de chamá-los sempre que possível via e-mail, telefone, chat, msn...

Curti cada momento vivenciado de forma presencial.
Estamos todos de parabéns!

Sim, quero apenas agradecer...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PRIMEIRA ATIVIDADE DA ORIENTAÇÃO TCC


ALUNA: ANDREA DUARTE DE SOUSA
DISCIPLINA: TCC
ATIVIDADE 4 : TEMA
TURMA: PE04TCC
TEMA

TEMA: Uso pedagógico de mídias na escola: práticas inovadoras.

PERGUNTA DE PARTIDA: Qual a importância da utilização das novas tecnologias na formação dos alunos da EJA e para a inclusão social dessa clientela?

TIPO DE TRABALHO: Projeto de Ação Pedagógica a ser desenvolvido em sala de aula.

A preocupação com a qualidade de vida e da educação permanente das pessoas da EJA tem-se como ponto de partida do projeto de ação pedagógica que pretendo desenvolver. Sendo importante ressaltar que a expressão “qualidade de vida” tem uma infinidade de significados, mas no âmbito pedagógico é a possibilidade de qualificar dimensões que propiciem uma aprendizagem emancipatória, promotora da cidadania e da ética. Analisar as possibilidades de uso de diversas mídias, inclusive de ambientes informatizados de ensino-aprendizagem para as pessoas da EJA na melhoria de sua qualidade de vida e como forma de inclusão social, propiciando mecanismos e estratégias para fomentar as ações será o norte desse projeto. Ou seja, buscará desenvolver alternativas de aprendizagem significativa, de interação, produção e organização de conhecimento, de resolução de problemas e de desenvolvimento da linguagem verbal-escrita para a clientela da EJA, utilizando-se as diversas mídias existentes, sobretudo das tecnologias da internet.

Em relação ao tipo de trabalho escolhido dentre as alternativas propostas, montar um projeto de ação pedagógica para ser desenvolvido em sala de aula, parece-me o mais razoável dentre as outras alternativas já que costumo trabalhar nos moldes de projetos didáticos..

Sou Professora há 17 anos, dos quais 14 anos com a clientela de EJA. Sempre utilizei diversas mídias nas minhas aulas, inclusive com recursos próprios em função da escola não possuir os recursos necessários. Advogada atuante há 13 anos, trabalho os temas direitos sociais dos trabalhadores e demais direitos com meus alunos. Criei um Blog e Perfil do Orkut e Comunidade da Escola e recentemente estou criando os e-mails e perfis do Orkut de meus alunos, pensando num projeto de inclusão dos JATs na rede.

No aguardo de suas ponderações.
Grata
Andrea

domingo, 5 de setembro de 2010

A INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO





As tecnologias evoluem em quatro direções fundamentais:

Do analógico para o digital (digitalização)

Do físico para o virtual (virtualização)

Do fixo para o móvel (mobilidade)

Do massivo para o individual (personalização)

Carly Fiorina, ex-presidente da HPackard




A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados.

As tecnologias que num primeiro momento são utilizadas de forma separada – computador, celular, Internet, mp3, câmera digital – e caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor.

O computador continua, mas ligado à internet, à câmera digital, ao celular, ao mp3, principalmente nos pockets ou computadores de mão. O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços.

Estas tecnologias começam a afetar profundamente a educação. Esta sempre esteve e continua presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar, grade curricular.

Há vinte anos, para aprender oficialmente, tínhamos que ir a uma escola. E hoje? Continuamos, na maioria das situações, indo ao mesmo lugar, obrigatoriamente, para aprender. Há mudanças, mas são pequenas, ínfimas, diante do peso da organização escolar como local e tempo fixos, programados, oficiais de aprendizagem.

As tecnologias chegaram na escola, mas estas sempre privilegiaram mais o controle a modernização da infra-estrutura e a gestão do que a mudança. Os programas de gestão administrativa estão mais desenvolvidos do que os voltados à aprendizagem. Há avanços na virtualização da aprendizagem, mas só conseguem arranhar superficialmente a estrutura pesada em que estão estruturados os vários níveis de ensino.

Apesar da resistência institucional, as pressões pelas mudanças são cada vez mais fortes. As empresas estão muito ativas na educação on-line e buscam nas universidades mais agilidade, flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada. Os avanços na educação a distância com a LDB e a Internet estão sendo notáveis. A LDB legalizou a educação a distância e a Internet lhe tirou o ar de isolamento, de atraso, de ensino de segunda classe. A interconectividade que a Internet e as redes desenvolveram nestes últimos anos está começando a revolucionar a forma de ensinar e aprender.

As redes, principalmente a Internet, estão começando a provocar mudanças profundas na educação presencial e a distância. Na presencial, desenraizam o conceito de ensino-aprendizagem localizado e temporalizado. Podemos aprender desde vários lugares, ao mesmo tempo, on e off line, juntos e separados. Como nos bancos, temos nossa agência (escola) que é nosso ponto de referência; só que agora não precisamos ir até lá o tempo todo para poder aprender.

As redes também estão provocando mudanças profundas na educação a distância. Antes a EAD era uma atividade muito solitária e exigia muito auto-disciplina. Agora com as redes a EAD continua como uma atividade individual, combinada com a possibilidade de comunicação instantânea, de criar grupos de aprendizagem, integrando a aprendizagem pessoal com a grupal.

A educação presencial está incorporando tecnologias, funções, atividades que eram típicas da educação a distância, e a EAD está descobrindo que pode ensinar de forma menos individualista, mantendo um equilíbrio entre a flexibilidade e a interação.


Alguns problemas na integração das tecnologias na educação

A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam predominando, apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para o de aprendizagem. Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.

Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os processos de aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. À distância será possível, mas não fácil.

Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora. Os professores percebem que precisam mudar, mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efetuem. Freqüentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com a Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente.

A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém que os cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.

É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso à distância encarece o custo final.

Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que aproximam o pensar do viver.

Os educadores marcantes atraem não só pelas suas idéias, mas pelo contato pessoal. Transmitem bondade e competência, tanto no plano pessoal, familiar como no social, dentro e fora da aula, no presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. E eles, numa sociedade cada vez mais complexa e virtual, se tornarão referências necessárias.



José Manuel Moran

Especialista em mudanças na educação presencial e a distância

jmmoran@usp.br

CAMINHOS PARA A APRENDIZAGEM INOVADORA




De tudo, de qualquer situação, leitura ou pessoa podemos extrair alguma informação ou experiência que nos pode ajudar a ampliar o nosso conhecimento, para confirmar o que já sabemos, para rejeitar determinadas visões de mundo, para incorporar novos pontos de vista.

Um dos grandes desafios para o educador é ajudar a tornar a informação significativa, a escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades, a compreendê-las de forma cada vez mais abrangente e profunda e a torná-las parte do nosso referencial.

Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos. Aprendemos quando relacionamos, estabelecemos vínculos, laços entre o que estava solto, caótico, disperso, integrando-o em um novo contexto, dando-lhe significado, encontrando um novo sentido.

Aprendemos quando descobrimos novas dimensões de significação que antes se nos escapavam, quando vamos ampliando o círculo de compreensão do que nos rodeia, quando como numa cebola, vamos descascando novas camadas que antes permaneciam ocultas à nossa percepção, o que nos faz perceber de uma outra forma. Aprendemos mais quando estabelecemos pontes entre a reflexão e a ação, entre a experiência e a conceituação, entre a teoria e a prática; quando ambas se alimentam mutuamente.

Aprendemos quando equilibramos e integramos o sensorial, o racional, o emocional, o ético, o pessoal e o social.

Aprendemos pelo pensamento divergente, através da tensão, da busca e pela convergência – pela organização, integração.

Aprendemos pela concentração em temas ou objetivos definidos ou pela atenção difusa, quando estamos de antenas ligadas, atentos ao que acontece ao nosso lado. Aprendemos quando perguntamos, questionamos, quando estamos atentos, de antenas ligadas.

Aprendemos quando interagimos com os outros e o mundo e depois, quando interiorizamos, quando nos voltamos para dentro, fazendo nossa própria síntese, nosso reencontro do mundo exterior com a nossa reelaboração pessoal.

Aprendemos pelo interesse, necessidade. Aprendemos mais facilmente quando percebemos o objetivo, a utilidade de algo, quando nos traz vantagens perceptíveis. Se precisamos comunicar-nos em inglês pela internet ou viajar para fora do país, o desejo de aprender inglês aumenta e facilita a aprendizagem dessa língua.

Aprendemos pela criação de hábitos, pela automatização de processos, pela repetição. Ensinar se torna mais duradouro, se conseguimos que os outros repitam processos desejados. Ex. ler textos com freqüência, facilita que a leitura faça parte do nosso dia a dia. Nossa resistência a ler vai diminuindo.

Aprendemos pela credibilidade que alguém nos merece. A mesma mensagem dita por uma pessoa ou por outra pode ter pesos bem diferentes, dependendo de quem fala e de como o faz. Aprendemos também pelo estímulo, motivação de alguém que nos mostra que vale a pena investir num determinado programa, curso. Um professor que transmite credibilidade facilita a comunicação com os alunos e a disposição para aprender.

Aprendemos pelo prazer, porque gostamos de um assunto, de uma mídia, de uma pessoa. O jogo, o ambiente agradável, o estímulo positivo podem facilitar a aprendizagem.

Aprendemos mais, quando conseguimos juntar todos os fatores: temos interesse, motivação clara; desenvolvemos hábitos que facilitam o processo de aprendizagem; e sentimos prazer no que estudamos e na forma de fazê-lo.

Aprendemos realmente quando conseguirmos transformar nossa vida em um processo permanente, paciente, confiante e afetuoso de aprendizagem. Processo permanente, porque nunca acaba. Paciente, porque os resultados nem sempre aparecem imediatamente e sempre se modificam. Confiante, porque aprendemos mais se temos uma atitude confiante, positiva diante da vida, do mundo e de nós mesmos. Processo afetuoso, impregnado de carinho, de ternura, de compreensão, porque nos faz avançar muito mais.


Conhecimento pela comunicação e pela interiorização

O conhecimento se dá fundamentalmente no processo de interação, de comunicação. A informação é o primeiro passo para conhecer. Conhecer é relacionar, integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Conhecer é saber, é desvendar, é ir além da superfície, do previsível, da exterioridade. Conhecer é aprofundar os níveis de descoberta, é penetrar mais fundo nas coisas, na realidade, no nosso interior. Conhecer é conseguir chegar ao nível da sabedoria, da integração total, da percepção da grande síntese, que se consegue ao comunicar-se com uma nova visão do mundo, das pessoas e com o mergulho profundo no nosso eu. O conhecimento se dá no processo rico de interação externo e interno. Pela comunicação aberta e confiante desenvolvemos contínuos e inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de conhecimento pessoal, comunitário e social.

Conseguimos compreender melhor o mundo e os outros, equilibrando os processos de interação e de interiorização. Pela interação entramos em contato com tudo o que nos rodeia; captamos as mensagens, nos revelamos e ampliamos a percepção externa. Mas a compreensão só se completa com a interiorização, com o processo de síntese pessoal, de reelaboração de tudo o que captamos através da interação.

Temos muitas chances de interagir, de buscar novas informações. Somos solicitados continuamente a ver novas coisas, a encontrar novas pessoas, a ler novos textos. A sociedade - principalmente pelos meios de comunicação - nos puxa em direção ao externo e não há a mesma preocupação em equilibrar a saída para o mundo com a interiorização, com o ambiente de calma, meditação e paz necessários para reencontrar-nos, para aceitar-nos, para elaborar novas sínteses.

Hoje há mais pessoas voltadas para fora do que para dentro de si, mais repetidoras do que criadoras, mais desorientadas do que integradas.

Interagiremos melhor se soubermos também interiorizar, se encontrarmos formas mais ricas de compreensão, que levará para novos momentos de interação. Se equilibramos o interagir e o interiorizar conseguiremos avançar mais, compreender melhor o que nos rodeia, o que somos; conseguiremos levar ao outro novas sínteses e não sermos só papagaios, repetidores do que ouvimos.

Os processos de conhecimento dependem profundamente do social, do ambiente cultural onde vivemos, dos grupos com os que nos relacionamos. A cultura onde mergulhamos interfere em algumas dimensões da nossa percepção. Um jovem dos anos sessenta se parece com um jovem da década de noventa, mas, ao mesmo tempo, muitas percepções e valores mudaram radicalmente. Do hippie contestador dos anos sessenta passamos hoje para um jovem mais conservador, mais preocupado com sua qualidade de vida pessoal, com o seu futuro profissional, em querer ter acesso aos bens de consumo. É um jovem, em geral, menos idealista e com menos sentimentos de culpa que os seus próprios pais.

O conhecimento depende significativamente de como cada um processa as suas experiências quando criança, principalmente no campo emocional. Se a criança se sente apoiada, incentivada, ela explorará novas situações, novos limites, se exporá a novas buscas. Se, pelo contrário, se sente rejeitada, rebaixada, poderá reagir com medo, com rigidez, fechando-se defensivamente diante do mundo, não explorando novas situações.

As interferências emocionais, os roteiros aprendidos na infância levam a formas de aprender automatizadas por alguns mecanismos, que ajudam e complicam o processo. Um deles é o da passagem da experiência particular para a geral, o processo chamado de generalização. Com a repetição de algumas situações semelhantes, a tendência do cérebro é a de acreditar que elas acontecerão sempre do mesmo jeito, e isso torna-se algo geral, torna-se padrão. Diante de novas experiências, a tendência será enquadrá-las rapidamente nos padrões anteriores fixados, sem analisá-las muito profundamente, a não ser que haja divergências extremamente fortes. Com a generalização facilitamos a compreensão rápida, mas podemos deturpar, simplificar a nossa percepção do objeto focalizado. O estereótipo é um processo de generalização e fixação de conteúdo, que se cristaliza e dificilmente se modifica.

Esses processos de generalização e de interferências emocionais levam a mudanças, a distorções, a alterações na percepção da realidade. Cada um conhece a partir de todos esses filtros, condicionamentos. Muitos dados não são sequer percebidos, são deixados de lado antes de serem decodificados. Quando há muitos estímulos simultâneos, o cérebro seleciona os que considera principais e corre em busca dos estereótipos e das formas já familiares. Cada um pensa que a sua percepção é completa e verdadeira e tem dificuldade em aceitar as percepções diferentes dos outros.

Se nossos processos de percepção estão distorcidos, podem levar-nos desde pequenos a enxergar-nos de forma negativa, a não avaliar-nos corretamente. Conhecer a si mesmo, aos outros, o mundo de forma cada vez mais ampla, plena e profunda é o primeiro grande passo para mudar, evoluir, crescer, ser livre e realizar-nos.

Um dos eixos das mudanças na educação passa pela sua transformação em um processo de comunicação autêntica e aberta entre professores e alunos, principalmente, incluindo também administradores, funcionários e a comunidade, principalmente os pais. Só vale a pena ser educador dentro de um contexto comunicacional participativo, interativo, vivencial. Só aprendemos profundamente dentro deste contexto. Não vale a pena ensinar dentro de estruturas autoritárias e ensinar de forma autoritária. Pode até ser mais eficiente a curto prazo - os alunos aprendem rapidamente determinados conteúdos programáticos - mas não aprendem a ser pessoas, a ser cidadãos.

Parece uma ingenuidade falar de comunicação autêntica numa sociedade altamente competitiva, onde cada um se expõe até determinado ponto e, na maior parte das vezes, se esconde, em processos de comunicação aparentes, cheios de desconfiança, quando não de interações destrutivas. As organizações que quiserem evoluir terão que aprender a reeducar-se em ambientes mais significativos de confiança, de cooperação, de autenticidade. Isso as fará crescer mais, estar mais atentas às mudanças necessárias.

As tecnologias nos ajudam a realizar o que já fazemos ou que desejamos. Se somos pessoas abertas, elas nos ajudam a ampliar a nossa comunicação; se somos fechados, ajudam a controlar mais. Se temos propostas inovadoras, facilitam a mudança.

Com ou sem tecnologias avançadas podemos vivenciar processos participativos de compartilhamento de ensinar e aprender (poder distribuído) através da comunicação mais aberta, confiante, de motivação constante, de integração de todas as possibilidades da aula-pesquisa/aula-comunicação, num processo dinâmico e amplo de informação inovadora, re-elaborada pessoalmente e em grupo, de integração do objeto de estudo em todas as dimensões pessoais: cognitivas, emotivas, sociais, éticas e utilizando todas as habilidades disponíveis do professor e do aluno.



José Manuel Moran
Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância

Texto publicado no livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, 15ª ed.

SP: Papirus, 2009, p.22-24

terça-feira, 31 de agosto de 2010

INTEGRAR MÍDIAS NA SALA DE AULA


É necessário conhecer as especificidades dos recursos midiáticos para incorporá-los com objetivos didáticos claros, dando vazão à vivência dos alunos, seus conhecimentos prévios, com mediação adequada do professor que deve valer-se dos recursos disponíveis para implementar uma nova prática construída pelo dinamismo das imagens e sons.

Esta (re)construção só será possível se houver o envolvimento de todos, educandos e profissionais da educação, em busca do reconhecimento mútuo que abra caminhos para experimentação, criação e argumentação que envolva novas formas de pensar e agir, como questiona Grinspun:

Para que serve então uma educação tecnológica? [...] para formar o indivíduo na sua qualidade de pessoa humana, mais crítica e consciente para fazer a história do seu tempo com possibilidades de construir novas tecnologias, fazer uso da crítica e da reflexão sobre a utilização de forma mais precisa e humana, e ter as condições de, convivendo com o outro, participando da sociedade em que vive, transformar essa sociedade em termos mais justos e humanos (2001, p. 29).


É preciso ressaltar que a tecnologia não tem um fim em si mesmo. O seu bom e consciente uso poderá trazer para o processo educativo formas mais criativas na busca do conhecimento. Como discutimos outrora, o fato de utilizar mídias na prática pedagógica não significa a efetiva integração entre mídias e educação. Integrar é impregnado por um sentido mais amplo, de tornar inteiro, de fazer parte do processo de construção do saber.


A educação tecnológica segue o caminho das inovações não como descoberta em si, mas como busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade, oriundos, por sua vez das novas relações sociais (GRINSPUN, 2001, p.57).

Temos que pensar numa educação com objetivos mais amplos, tanto em termos daqueles conhecimentos como, e principalmente, na formação de um cidadão mais crítico e consciente para viver e participar desse contexto, numa visão local, nacional e mundial, numa perspectiva de ação visando à busca de valores comprometidos com uma sociedade mais humana e com mais justiça social (GRINSPUN, 2001, p. 39).

Segundo Soares(2003):Os professores, ainda que capacitados pelos programas de estímulos ao uso de informática na escola, se vêem aprisionados a rotina pedagógica, conteúdos, Parâmetros Curriculares Nacionais aos compromissos com os sistemas de avaliação, e deixam para segundo plano as inovações e a autonomia que a informática poderia trazer ao seu trabalho. Os alunos, por sua vez, ficam na dependência dos professores e da direção para acessarem o laboratório de informática.

Referências Bibliográficas


GRINSPUN, Mirian P. S. Zippin (org.). Educação tecnológica: desafios e perspectivas, 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.


SOARES, Suely Galli. Educação e comunicação: o ideal de inclusão pelas tecnologias de informação otimismo exacerbado e lucidez pedagógica, São Paulo:Cortez, 2006.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

POR ELES, PARA ELES


Minha turma da EJA - Escola Monte Castelo. Cada face, vários anseios e como Professora preciso buscar múltiplas respostas.

PAULO FREIRE: RECORTES




"Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda".


"Educar e educar-se, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que pouco sabem - por isto sabem que sabem algo e podem assim chegar a saber mais - em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais".

"O mundo não é, o mundo está sendo".

"A leitura do mundo precede a leitura da palavra"

"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda".

"O homem, ser de relações, e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo"

"É porque eu amo o mundo que luto para que a justiça social venha antes da caridade"

"Somente o homem pode distanciar-se do objeto para admirá-lo"

"Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão."

"Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".

"A educação modela as almas e recria os corações. Ela é a alavanca das mudanças sociais

"Não posso continuar sendo humano se faço desaparecer em mim a esperança"

''Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes''

"Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha".

"O tempo que levamos dizendo que para haver alegria na escola é preciso primeiro mudar radicalmente o mundo é o tempo que perdemos para começar a inventar e a viver a alegria".

"...aprender não é um ato findo.Aprender é um exercício constante de renovação..."

"...Inauguram o desamor, não os desamados, mas os que não amam, porque apenas se amam..."

"A amorosidade de que falo, o sonho pelo qual brigo e para cuja realizacao me preparo permanentemente, exigem em mim, na minha experiencia social, outra qualidade: a coragem de lutar ao lado da coragem de AMAR!!!"
"Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero."

"Por isso a alfabetização não pode ser feita de cima para baixo, como uma dádiva ou uma imposição, mas de dentro para fora, pelo próprio analfabeto e apenas com a colaboração do educador"."Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens educam-se entre si, mediados pelo mundo".

"A teoria sem a prática é puro verbalismo inoperante, a prática sem a teoria é um atavismo cego".

"O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer uma ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica em invenção e em reinvenção".

"Estudar exige disciplina. Estudar não é fácil. porque estudar pressupõe criar, recriar, e não apenas repetir o que os outros dizem ...""Estudar é um dever revolucionário""A escola sozinha não muda as condicões de injustiças sociais... Resta perguntar: Está fazendo tudo que pode?"

"Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes,mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor. Gente mais gente".
"A educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando".

"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre".

" Não se deve confundir liberdade com libertinagem" .

"Ai de nós, educadores e educadoras, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis".

"Educar é educar-se na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem - por isso sabem algo e podem assim chegar a saber mais - em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais."

"Crescer como Profissional, significa ir localizando- se no tempo e nas circunstâncias em que vivemos,para chegarmos a ser um ser verdadeiramente capaz de criar e transformar a realidade em conjunto com os nossos semelhantes para o alcance de nosso objetivos como profissionais da Educação".

"Se nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da eqüidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção"...
"O educador se eterniza em cada ser que educa".

"Todo conhecimento é auto-conhecimento" .

"Sem limites, é impossível que a liberdade se torne liberdade e também é impossível para a autoridade realizar sua obrigação, que é precisamente a de estruturar limites"
"O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele".

"Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade. "

“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa”.
" Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo.A escola em que se pensa, em que se cria, em que se fala, em que se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim a vida"
" É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática."

É preciso ousar, aprender a ousar , para dizer NÃO a burocratização da mente a que nos expomos diariamente" ."É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional.Nao deixe que o medo do difícil paralise você".
"Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção"

"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino"."A educação necessita tanto de formação técnica e científica como de sonhos e utopias".

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

USO PEDAGÓGICO DO ORKUT



Atualmente, as novas tecnologias fazem parte do cotidiano da maioria dos adolescentes e jovens e como já amplamente discutimos, esta realidade não pode ser ignorada pela escola, sob pena da escola ser ignorada pela sociedade.

Com as novas tecnologias, o uso da internet oferece a todos um campo vasto e riquíssimo de recursos virtuais a exemplo das ferramentas que conhecemos com a disciplina “Projeto Pedagógico Utilizando Ambientes Interativos Virtuais”: Blog, Orkut, Google Docs, Hot Potatoes, Wiki, dentre outras.

Segundo Moran(1997), “ mais que a tecnologia o que facilita o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de comunicação autêntica do professor, de estabelecer relações de confiança com seus alunos, pelo equilíbrio, competência e simpatia com que atua”(pag. 146/143).


Um desses recursos virtuais é o Orkut, uma ferramenta de relacionamento mesclado a entretenimento, um ambiente de fácil navegação através de ícones que dão acesso a todos os ambientes. Mesmo tendo o mínimo conhecimento de informática, qualquer um pode manejá-lo com sucesso. Cada usuário tem uma página na qual pode exibir seu perfil com fotos, trocar informações e participar de grupos de discussão.

Pensando nessas possibilidades atraentes ao processo de ensino-aprendizagem resolvi criar o perfil da escola em que trabalho com turmas de Educação de Jovens e Adultos: Monte Castelo Escola.

Entendo ser possível estimular o contato com a diversidade social, criar comunidades contendo conteúdos a serem discutidos não só pelos alunos, mas também por todo corpo docente, comunidade e Secretaria de Educação.

Como destaca Moran (1997), “o educador continua sendo importante, ele se torna um pesquisador junto com os alunos e articulador de aprendizagens ativas, um conselheiro de pessoas diferentes, um avaliador dos resultados. O papel dele é mais nobre, menos repetitivo e mais criativo do que na escola.”

Em oposição à importância da Tecnologia Educacional, estão os mitos, entre os quais o medo dos professores de que, com o avanço da tecnologia na educação, desvalorize-se ainda mais o papel do professor e o ensino se desumanize. Para Kenski (2005), não é possível pensar na prática docente sem pensar, na pessoa do professor, nas suas condições de trabalho, em sua formação inicial e continuada. É necessário repensar a jornada de trabalho do professor, pois deve-se incluir em sua carga horária de trabalho o tempo para pesquisar as melhores formas interativas de desenvolver as atividades usando os recursos multimidiáticos disponíveis. Incluir tempo para a discussão, com seus pares, de novos caminhos e possibilidades de exploração desses recursos e para refletir sobre todos os encaminhamentos realizados, partilhar experiências e assumir a fragmentação das informações, como um momento didático significativo para a recriação e emancipação dos saberes.


A meu ver, o Orkut é mais uma proposta que pode tornar o processo ensino/ aprendizagem mais significativa e contribuir para a inclusão digital, sendo esta também mais uma forma, de integrar tecnologia e educação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MORAN, José Manuel. Como Utilizar a Internet na Educação. In: Revista Ciência da Informação, v. 26, n.2, maiago,1997, p. 146153. Disponível no site: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010019651997000200006.
Acesso ou capturado em < 16.08.2010>

KENSKI, Vani. NOVAS TECNOLOGIAS, O REDIMENSIONAMENTO DO ESPAÇO E DO TEMPO E OS IMPACTOS NO TRABALHO DOCENTE. 2005. Disponível no site.
http://www.serprofessoruniversitario.pr o.br/ler.php?modulo=18&texto=1106 . Acesso ou capturado em <16.08.2010>

domingo, 15 de agosto de 2010

ELE POR SI MESMO



“Como ele pensa que deve ser a sua
formação? Como pode continuar a
aprender? Como gosta que pense dele?
Que exigências faz de si mesmo? Perante
tamanha diversidade de formações, de
cenários, de condições emocionais estas
respostas têm que ser múltiplas”.
Fernando José de Almeida, 1999

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

USO PEDAGÓGICO DO BLOG. SUGESTÕES

Olá pessoal.

Nas minhas navegações encontrei um blog muito interessante para conhecermos alguns trabalhos realizados com as novas mídias: www.teiaeducom.blogspot.
com, principalmente com blogs.

Grande abraço

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ESQUECER PARA VER


"Nietzche, o filósofo que mais amo, disse que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Ensinar a ver? Mas ver não é um ato natural que depende apenas dos olhos? Olhos bons não vêem as mesmas coisas? Willian Blake, poeta inglês, sabia que não é assim: 'A árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê'. Não basta ter bons olhos para ver. Ver não é um processo fisiológico. É um ato poético."

Esse trecho foi retirado do livro: Aprendiz de Mim, Um bairro que virou escola, de Rubem Alves, Editora Papirus, 2008.

Percebo que para inovar na Educação necessário se faz, antes, um novo jeito de olhar, de ver a Educação. De nada adianta utilizar-se das mais diferentes mídias em sala de aula se o que você vê é apenas um método diferente para ensinar as mesmas coisas.

Acredito que a grande vacacio entre a educação e tecnologias esteja ligado a um olhar unilateral ou inexistente do educador para as possibilidades de aprendizagens que as TICs oferecem quando pensadas, discutidas, analisadas e experimentadas. E falando em olhar, recordei-me da música de Chico Buarque, A Banda, que tudo tem a ver com a prática do olhar:

"Estava a toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem.
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que viviia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela.
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor."

Acredito que o professor possa ser esse diferencial, ser essa "banda" que contagia a todos, indistintamente e faz brotar sonhos. Tenho trabalhado a minha vida toda para ser essa banda, cantando coisas de amor.

Um grande abraço.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E SUAS LINGUAGENS

Tema debatido na série Integração de tecnologias, linguagens e representações, apresentado no programa Salto para o Futuro/TV Escola, de 2 a 6 de maio de 2005 (Programa 3)


EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E SEUS ENLACES

Cleci Maraschin


Que professor não sentiu calafrios ao imaginar softwares educacionais substituindo o trabalho pedagógico? Crianças cuidadas por robôs-babás? Jovens em diferentes simuladores, contro-lando aviões, naves espaciais, construindo e gerindo cidades? Ou, talvez, os calafrios já aconteçam na aquisição de um pequeno celular, cujo manual contenha um volume físico de informações maior que o próprio aparelho. Ou em um "simples" rádio-relógio despertador. Como programar a hora de acordar? Como conversar com essas novas máquinas? Com que linguagem?

Programar! Programar! Antes, uma ação profissional circunscrita a alguns técnicos conhe-cedores de linguagens de programação é hoje distribuída em uma série de produtos de uso cotidiano: programar os canais da TV, as emissoras de rádio, a máquina de lavar roupas, a cafeteira. E os calafrios não param por aí... Imaginem nossa surpresa quando crianças de 4-5 anos programam muito melhor que nós? Quando adolescentes gerenciam empresas virtuais? Como conversar com essas crianças e jovens? Essas vivências cotidianas desafiam os educadores e seu trabalho.

O desassossego com o crescente processo de informatização também pode indicar o quanto as tecnologias anteriores já foram naturalizadas, acopladas ao nosso viver, que parecem até ter perdido seu potencial desestabilizador de outrora.

A atualização dos modos de viver, causados pela presença de outras tecnologias, não significa necessariamente um esfacelamento da realidade ou um processo de desumanização. Pode significar a vivência do deslocamento das fronteiras daquilo que chamamos realidade ou hu-manidade. Os estudos sobre a percepção humana já trazem evidências de que aquilo que vivemos como realidade é resultante de um processo de construção, de criação de uma forma, a partir de uma rede de configuração heterogênea, que inclui a estrutura do sistema nervoso, dos órgãos sensoriais, a história de acoplamentos, a linguagem, as tecnologias, as instituições sociais. Desta forma, possuímos tantos espaços perceptivos quantas são as classes de cor-relações sensório-motoras que podem ser realizadas, a partir da interação com as diversas configurações da rede na qual vivemos (Humberto Maturana e Francisco Varela, 2004).

Esse modo de operar explica porque, após um período de adaptação inicial, nos sintamos imersos em mundos virtuais capazes de instaurar um outro tipo de vivência e de congruências sensório-motoras extremamente ricas e decisivas, produzindo inusitados efeitos de realidade: nós habitamos um corpo neste mundo novo e fazemos realmente a experiência de traspassar muros, voar... Também explica a possibilidade de navegar em mundos coletivos diversos sem, necessariamente, substituir ou suplantar outros registros de realidade, mas ressignificando-os. Os espaços enriquecem-se reciprocamente. Após uma experiência de imersão em um mundo virtual, contemplamos o mundo “real” de uma forma que ainda não havíamos experimentado, redimensionando nossa sensibilidade. Mas também explica a criação de mundos confinados, restritos, submetidos. Não está em uma suposta "essência" a direção de nossos movimentos e de nossos mundos, mas na história mesma das reconfigurações recursivas.

A potencialidade de atualização dos espaços vividos faz com que todo esse processo não possa passar "invisível" à educação. Assim, é necessário produzirmos uma inversão episte-mológica do problema como é geralmente formulado: ao invés de problematizarmos a infância e a adolescência “plugada”, normatizando-a, deveríamos questionar a exclusão das tecnologias das práticas escolares. Ao invés de somente nos preocuparmos com regras, limites e normas (restrição de horários de acesso, restrição de sites, restrição de softwares), deveríamos ampliar ao máximo o desenvolvimento de estratégias de alfabetização tecno-lógica, o que inclui a invenção de metodologias de produção coletiva, de modos de avaliação, de maneiras de troca e de publicização dessas inovações.

Este texto é um convite para discutir a necessidade de uma outra alfabetização. Poderíamos denominá-la de alfabetização tecnológica ou digital. E, como em qualquer domínio de vida, essa alfabetização tecnológica ou digital pode comportar diferentes posições subjetivas: podemos ser "apropriados" pelos modos "digitais" de viver e sermos vistos/falados como "analfabetos digitais", ou podemos viver essa realidade segundo diferentes movimentos de cooptação e/ou de resistência e na direção da ampliação da experiência.

Manuel Castells (2002) nos fala que não estamos mais em uma época em que a rede de computadores, ou Internet, possa ser considerada somente uma ferramenta, que podemos decidir se vamos usá-la ou não. Ela já é uma infra-estrutura que possibilita uma grande, senão a maior gama de comunicações no planeta. A observação do autor faz pensar que ultra-passamos a idéia de uma apropriação técnica das linguagens, dos softwares, mas se trata de experimentar um outro domínio de viver, de conviver. Faz pensar também que as propostas pedagógicas limitadas a uma apropriação técnica, ou seja, de desenvolver "os funcionários das máquinas" (Arlindo Machado, 1996), estão longe de compreender o domínio e a extensão das transformações que estamos vivendo.

Uma alfabetização implica viver em um determinado domínio da experiência. Estamos chamando de domínios, ou ecologias cognitivas, a delimitação de territórios de vida confi-gurados por redes de poder-saber acopladas às diferentes tecnologias. Assim, como propõe Pierre Levy (1993), podemos dizer que nós vivemos nos deslocando em territórios confi-gurados por distintas ecologias cognitivas, que ele denomina de orais, escritas, digitais. Cada domínio especifica critérios de validação da experiência, distinguindo modos de acesso e formas de viver nesses territórios. A invenção de novos domínios certamente repercute sobre os demais, mas não elimina, necessariamente, antigos usos. Assistimos como as técnicas de digitalização da informação permitem a produção dos denominados “hiperdocumentos” onde, em um mesmo território, podemos acessar textos, imagens, sons, vídeos e ainda interagir, podendo interferir nos limites desse território. Como é o caso, por exemplo, de ferramentas ou softwares nos quais a interação pode deslocar as seqüências dos eventos, ou aqueles que permitem co-autoria, ou, ainda, os que possibilitam alterações nos conteúdos (modificando e adicionando informações), ou até mesmo aqueles que permitem efetuar transformações na própria programação (como é o caso do software livre onde os códigos-fonte são conhecidos e abertos).

No caso de domínios cognitivos, que estamos denominando de digitais, podemos assumir diferentes posições subjetivas, entre as já conhecidas:

a) Viver sem ter acesso a esse domínio. A manutenção da desigualdade na distribuição de renda, de bens materiais, culturais e de serviços presente na sociedade brasileira faz com que as possibilidades de acesso aos domínios do viver sejam diferenciadas. Isso por si só faz com que a temática da inclusão digital, ou de diferentes inclusões, seja, ao mesmo tempo, significativa e desafiadora (Maraschin, 2005). Mas, como exposto acima, os novos domínios repercutem sobre os anteriores, o que faz com que possamos passar a denominar pessoas como “analfabetas digitais” de acordo com seu distanciamento a esse território. Por isso, políticas de acesso são imprescindíveis e a escola, por seu caráter universal e público, se constitui um importante portal.

b) Viver sem consciência do quanto somos “programados” por esse domínio. A sustentação da idéia de uma inclusão digital, ou de uma alfabetização tecnológica, não dispensa discutir as práticas de inclusão e as relações de poder existentes entre os territórios do viver. Não é suficiente dizer que as escolas devam ofertar aos seus alunos o acesso aos recursos informáticos porque eles necessitam acompanhar a velocidade do desenvol-vimento tecnológico. Com esse argumento, vivemos como se a velocidade tecnológica fosse a matriz para pautar a velocidade na educação. Não é suficiente dizer que os alunos das instituições públicas necessitam ter acesso às tecnologias para que não seja incre-mentado o distanciamento competitivo com os alunos da rede privada, em direção ao mercado de trabalho. Essa proposição afirma uma subordinação do mundo educacional ao mundo do trabalho. E, mais preocupante que isso, leva a crer que a condição de empre-gabilidade está relacionada somente ao estatuto individual, à competência pessoal. Esquece que grande parcela das transformações estruturais dos modos atuais de trabalhar advém do próprio processo de tecnologização e de globalização da economia. Mesmo se houvesse uma universalização da capacitação tecnológica não haveria empregos para todos, pois a oferta de postos de trabalho não depende exclusivamente da capacitação individual. Se o acesso é fundamental, também necessitamos discutir o “para que” do mesmo.

c) Viver como usuários – em uma relação funcional “funcionários das máquinas”. Arlindo Machado (1996), ao discutir a criação artística e sua relação com a tecnologia, aponta a existência de uma certa pressa simplificadora quando se afirma que a evolução técnica reduz progressivamente o campo da criatividade estética e que a liberdade do artista encontra-se submetida ao arbítrio da máquina. Para o autor, a questão principal não é saber se o artista se encontra mais ou menos livre, menos ou mais criativo, trabalhando no coração das máquinas, mas se ele é capaz de recolocar as questões da liberdade e da criatividade no contexto de uma sociedade cada vez mais informatizada, cada vez mais imersa nas redes de telecomunicações e cada vez mais determinada pelas representações que faz de si mesma, através da indústria cultural.

Essa mesma problemática poderia ser recolocada no campo da educação. É preciso distinguir o trabalho criativo daquele que resulta somente de uma adaptação às máquinas. Certamente saber operar e programar máquinas é importante, mas a educação pode produzir experiências que ultrapassem ao “bom uso” ou “uso adequado”. As obras criativas, ao invés de “esgotar” determinadas possibilidades das ferramentas, redefinem a nossa própria maneira de entender e de lidar com elas. Ora, explorar as “possibilidades” de um domínio do qual as tecnologias digitais também fazem parte constitutiva pode ser uma difícil tarefa educativa, mas a criatividade não pode estar dissociada da resistência; na experiência educativa, deveria haver espaço para experimentar usos que possam mesmo subverter a função das tecnologias, manejando-as em direções divergentes de sua produtividade programada.

d) Viver produzindo exercícios de autoria, propondo outros usos. Quem poderia prever os efeitos da inventividade e da experimentação escolar, em larga escala, para o próprio desenvolvimento tecnológico? Professores e alunos não representam somente um mercado potencial de consumidores de softwares educativos. Eles devem ter condições de vir a ser parceiros de um desenvolvimento tecnológico responsável. E essa mudança na posição de poder é que produz o que estamos chamando de inclusão, produzindo co-autorias, modi-ficando os conteúdos desse território que implica ações de programação e de autoria coletiva. Além de explorar as potencialidades de os recursos poderem inventar outros usos.

e) Viver interferindo nas lógicas desse território. Aqui, o grande exemplo é o movimento do software livre. Movimento que alia resistência e criação. A articulação de princípios éticos com uma prática de construção e autoria coletiva. Além de seus produtos, o que pode também resultar interessante para a análise educativa são os modos construção das tecno-logias e ferramentas que os participantes trabalham. Seu modo de operar questiona práticas centralizadas, fechadas, de certificação de conhecimentos, que muitas vezes são tidas como as únicas formas legítimas de viver no domínio educativo.

Cabe aclarar que essa diferenciação não se configura como uma classificação em que as posições sejam disjuntas, nem em etapas necessárias à alfabetização tecnológica. É muito importante, por exemplo, que saibamos programar e tirar o máximo possível de uma tec-nologia. O que estamos tentando dizer é que pensamos ser limitante que a experiência educativa fique resumida a esse modo de viver no domínio tecnológico. Tampouco estamos propondo que todos os alunos dominem de tal forma a tecnologia que possam interferir nas lógicas desse território, mas sim que possam reconhecer movimentos e práticas inovadoras.

A potência de um novo domínio pode repercutir de modo diferenciado nos demais. E essa é certamente uma questão presente no domínio tecnológico. Cabe então o alerta de Roger Chartier (2002), quando adverte que a idéia de uma língua universal, ou diríamos, a idéia de que um único domínio possa ser suficiente para abarcar a experiência do viver pode ser perigosa. Isso repercute de modo ecológico, ou seja, na extinção de domínios de vida. Assim como podemos reduzir a diversidade das espécies no planeta, podemos reduzir os territórios de pensamento, as práticas, as idéias. Um epistemicídio que se baseia em utopias de um mundo sem diferenças, sem desigualdades, sem passado, como se a diferença fosse somente valorativa e implicasse necessariamente uma limitação de direitos.

Ao concordarmos com a proposição segundo a qual podemos experimentar tantas posições subjetivas diante de distintos domínios cognitivos quantas forem as possibilidades de acoplamentos possíveis a esses domínios, estamos dizendo que nenhum domínio está aça-bado, esgotado. Pode ser sempre recriado a partir da inventividade e da conectividade entre seus habitantes (humanos ou não) e entre outros domínios.

Por essas razões, cabe aos professores uma função importantíssima no território de vida que é a educação. Cabe indagar: como esses outros territórios deslocam, potencializam, modificam os modos de viver a escola, a aprendizagem, o conhecimento? Cabe-nos experimentar e analisar o que pode o território digital quando encontra o território educacional. Como pode-mos enriquecer a experiência do aprender? E discutir, como nos propõem Humberto Maturana e Ximena Dávila Yáñez (2004), se desejamos essas possibilidades, regulando fascínio e desassossego com ética.

Bibliografia
- CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

- CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

- LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.

- MACHADO, Arlindo. Máquina e Imaginário: O desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: Edusp, 1996.

- MARASCHIN, Cleci. Redes de conversação como operadores de mudanças estruturais na convivência. In: PELLANDA, Nize Maria Campos, SCHLÜNZEN, Elisa Tomo e SCHLÜNZEN, Moriya Klaus Junior (orgs.) Inclusão digital: tecendo redes afetivas/cognitivas. Rio de Janeiro: D. P &A Editora, 2005.

- MATURANA, Humberto Romesín e Paz Dávila, Ximena Yáñez. Ética e desenvolvimento sustentável – caminhos para a construção de uma nova sociedade. Psicologia & Sociedade, 16 (3), 2004.

- MATURANA ROMECIN, Humberto e VARELA GARCIA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. 4. ed. São Paulo: Palas Athena, 2004.


Fonte: Salto para o Futuro

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PARTICIPAÇÃO NA 62ª SBPC - NATAL/RN






Participar de um evento como esse significa subir vários degraus. Respirávamos ciência, tecnologia e conhecimento por todas as partes. Foi muito bom constatar que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais perto das escolas. A palavra de ordem é Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social.

A implementação de ações de ciência, tecnologia e inovação, com foco no desenvolvimento sustentável do país constitui-se hoje em uma das mais importantes estratégias de políticas pública do Estado Brasileiro na promoção da inclusão social, com geração de emprego e renda, e na democratização das oportunidades,, sobretudo no que se refere ao acesso ao conhecimento e à tecnologia.

Conheci de perto o trabalho da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social(SECIS), do Ministério da Ciência e Tecnologia. Essa secretaria coordena um conjunto de programas e ações de inclusão social. A atuação da SECIS se estende às áreas rurais e urbanas e contempla, em especial, homens e mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica e social ocasionada pela pobreza.

Comunidades rurais na era digital, novas ferramentas eletrônicas, Centro Vocacionais Tecnológicos, cultura potiguar de camarões, olimpíadas de matemática em escolas públicas, violência doméstica, oficinas de brinquedos científicos, situação do Rio Potengi- problemas ambientais foram alguns dos temas conhecidos e explorados nesse evento.

Mais informações: www.mct.gov.br

sábado, 7 de agosto de 2010

INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO



“A Informática e a Educação estão se casando... Você está convidado. O educador não pode aceitar este convite ao consórcio de forma ingênua e despreparada. Pela responsabilidade que temos junto à sociedade e a nós mesmos, nossa preparação e formação têm de trazer a esses campos a contribuição que tal proposta nos impõe. Mas como trabalhar neste novo campo com garantia de que estaremos construindo um casamento de fim de século e que deve continuar a ser feliz daqui para a frente?

Conhecer bem cada um dos pretendentes diminui em muito os riscos dos insucessos e das decepções futuras.

Conhecer a educação. Conhecer a informática. É a primeira das formas de buscar a garantia da qualidade de vida a dois. Mas quem é esta Educação que pretende se casar com a Informática? Qual é a sua história? Quais são as suas qualidades? Quais são as marcas de seu caráter? Qual é a história das tecnologias e "quais são suas intenções" (como os velhos pais perguntariam). Vem de boa família? Traz dotes?

Mesmo que falando em parábolas e fazendo uma descrição um pouco caricata da cena, ela nos ajuda a entender que o trabalho de conhecer melhor o que significa a Educação, neste fim de século, para esta sociedade brasileira, é a base segura de onde nos podemos lançar para esta aventura de casar Educação com a Informática.”

Esse texto está disponível em http://ntefo.vilabol.uol.com.br/fundamentosparaumapratica.htm e nos chamou atenção pela força dos seus argumentos. De fato, o casamento aconteceu, mas para que não haja infelicidade ou divórcio precisamos saber, conhecer, entender, vivenciar e explorar esse cônjuges. Trata-se da Ação-Reflexão-Ação. Esse processo dialógico, vivo, intermitente que deve estar presente no cotidiano escolar, na prática pedagógica. Como professores, gestores, temos a semente nas mãos. Precisamos cuidar para disseminá-la, colhendo assim os frutos. Somos semeadores e como tal lançaremos as sementes, não ao acaso, mas de forma pensada, articulada, “linkada”, mas sem desprezar os pássaros que também fazem esse trabalho.

Moran, 2007 alerta que: “Educar é um processo complexo, que exige mudanças significativas, investimento na formação de professores, para o domínio dos processos de comunicação da relação pedagógica e o domínio das tecnologias. Só assim poderemos avançar mais depressa, com a consciência de que, em educação, não é tão simples mudar porque existe uma ligação com o passado que é necessário manter, e uma visão de futuro, à qual devemos estar atentos.”

Portanto, compreendendo de fato o que é Educação, o que é Informática, numa busca constante de aprender mais, não se pode negar a grande importância que tem o uso desses dois “pretendentes” nos processos de ensinar e aprender, pois nos oferecem inúmeras possibilidades de melhorar o fazer administrativo e pedagógico que acontece dentro das nossas escolas. E que sejam felizes para sempre...


(Esse texto é a introdução de um trabalho coletivo realizado através do Google Docs, na disciplina GESTÃO E INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS E MÍDIAS NA EDUCAÇÃO. Equipe SEMEAR).

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS NA ESCOLA

Refletir sobre a própria prática pedagógica demanda do educador uma postura democrática e consciente da importância e da necessidade de auto-avaliação, mas para que essa reflexão acarrete mudanças naquilo que é necessário ou reforce um posicionamento positivo é preciso entregar-se às buscas cognitivas. É o que estamos fazendo agora.

Pois bem. Integrar as mídias na escola vai além de utilizar diversas ferramentas tecnológicas. É encarar as mudanças de frente e abrir as portas da escola para o Mundo.

Maria Aparecida Behrens in Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, 2000, foi muito feliz ao alertar que: “as perspectivas para o século XXI indicam a educação como pilar para alicerçar os ideais de justiça, paz, solidariedade e liberdade. As transformações econômicas, políticas e sociais pelas quais o mundo vem passando são reais e irreversíveis. A humanidade tem sido desafiada a testemunhar duas transições importantes que afetam profundamente a sociedade: o advento da sociedade do conhecimento e a globalização.”

Educar nessa perspectiva, portanto, não significa mais transmitir conhecimentos e seus atores participam de forma dialética e não mais como sujeitos ativos(os que transmitem) e passivos(os que recebem). É o romper barreiras e o uso das TICs é o meio hábil para isso. Acontece que o acesso ao conhecimento e, em especial, à rede informatizada desafia-nos enquanto educadores, pois faz-se necessário buscar meios e novas metodologias para atender às exigências dessa sociedade marcada por tão grandes transformações. Esse é o primeiro aspecto que ressalto para integrar mídias na escola. Ter acesso ao conhecimento não linear proporcionado pela rede informatizada e criar possibilidades para que os alunos aprendam a aprender, a fazer e a ser com auxílio das mídias. Como é cediço, o professor tem um grande leque de opções metodológicas e de possibilidades de organizar sua comunicação com seus alunos. Ele precisa tornar-se um aprendiz de sua própria prática.

Um segundo aspecto a contemplar é sobre a relação professor-aluno. Considerando a aprendizagem colaborativa proporcionada pelas TICs urgente se faz implantar uma cultura de parceria que facilite o enfrentamento de problemas de forma criativa e solidária. Tal aspecto ficou bem claro com a realização das atividades propostas nessa disciplina em que, apesar da distância estávamos juntos na construção de saberes, socializando os achados e perdidos.

Um terceiro aspecto que considero importante ressaltar em relação à integração das mídias na escola trata dos diferentes modos de aprender que devem ser respeitados e observados pelo professor. Através do trabalho desencadeado a partir de projetos é possível articular todas as mídias, propiciando a construção do conhecimento, não por imposição, mas com autonomia e criatividade, respeitadas as subjetividades existentes numa sala de aula.

ALUNA: ANDREA DUARTE DE SOUSA
DISCIPLINA: MÍDIAS EM EDUCAÇÃO
ATIVIDADE 4 – INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS NA ESCOLA
TURMA: PE04ME
MEDIADORA PEDAGÓGICA: FLÁVIA RODRIGUES

CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS AO PROFESSOR DO SÉCULO XXI

• Ser pesquisador e estar aberto a ouvir;
• Ser ético e estar em uma relação constante de aprendizagem;
• Desenvolver uma ecologia de saberes e ser multiplicador;
• Acreditar na educação como instrumento de transformação e ser facilitador do processo;
• Dar oportunidades aos alunos de aprenderem de diferentes maneiras;
• Trabalhar com realidade de Século XXI e se encontrar num período de transição;
• Estar antenado com seu entorno e com o mundo sem perder a afetividade;
• Dominar as novas tecnologias para educar em rede;
• Estar antenado às múltiplas possibilidades de expressão e comunicação;
• Incluir as tecnologias atuais em nosso cotidiano e provocar novas descobertas
• Criar ambientes de aprendizagem;
• Ter conhecimento das mídias e estar disposto a gerenciar sua formação;
• Mobilizar seus saberes e poderes e conectar-se com este novo mundo;
• Praticar a pedagogia do exemplo, em que sua vida e seu trabalho tenham uma significação para si mesmo e para os outros em seu entorno, em especial, no alunado;
• Valorizar seu trabalho e, acima de tudo, o conhecimento prévio de seu aluno;
• Avaliar o aluno, a turma, mas também se auto-avaliar sempre, de forma quantitativa, mas acima de tudo qualitativa;
• Planejar uma aula dialógica, interativa, em que os saberes se vão construindo a quatro mãos, as do professor e as dos alunos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

INTERNET: LUGAR DE AUTORIA OU PLÁGIO




Certamente essa discussão tem um vasto campo a ser explorado, mormente nos dias atuais em que a internet sinaliza sua presença de forma democrática na maioria das escolas e lares brasileiros. Não querendo afirmar que o plágio é cria da internet, mas certamente que há uma disseminação muito grande por parte daqueles que utilizam essa tecnologia pela facilidade que isso se dá: CTRL + C, CTRL + V.

Segundo MORAES 2008, (p.95) plágio é a “imitação fraudulenta de uma obra, protegida pela lei autoral, ocorrendo verdadeiro atentado aos direitos morais do autor: tanto à paternidade quanto à integridade de sua criação”.

Esse “atentado” é bastante recorrente em nossas escolas haja vista a falta de clareza nos objetivos, metas e ações que são propostas quando da realização de atividades. Resta claro que há omissão por parte de alguns professores e de alguns currículos em trabalhar questões como ética, autoria, respeito, moral... a discussão corriqueira sobre esses temas indubitavelmente geraria uma repulsa natural ao plágio. O aluno respeitando a idéia de autoria passaria a ser autor de sua obra e não mero “colante”. Mas isso perpassa sobre a concepção de Educação de determinada instituição de ensino e do professor.

Quando se fala que o professor do século XXI necessita ter fluência tecnológica isso abrange não só o saber usar as mídias, como também disseminar o uso ético destas, utilizando-as como ferramenta de criação, criticidade, convergência. Acredito que ensinar aos nossos alunos como pesquisar e o que fazer com o conteúdo pesquisado na internet é uma forma de colocar à tona essa discussão obre autoria e plágio.

E se alguém tem alguma dúvida acerca da imprescindibilidade do professor na era das tecnologias os argumentos acima põem uma pá de cal no assunto, haja vista a questão ética ser inerente ao SER HUMANO.

Referência Bibliográfica
DEMO. P. Habilidades do Século XXI. B. Téc. Senac: a R. Educ. Prof., Rio de Janeiro, v. 34, n.2, maio/ago. 2008. Disponível em: http://www.senac.br/BTS/342/artigo-1.pdf. Acesso em: 02 de agosto de 2010.

MORAES, O plágio na pesquisa acadêmica: a proliferação da desonestidade intelectual. Revista Diálogos Possíveis. Ano 7, n.1, janeiro / junho 20082008 Disponível em: http://faculdadesocial.edu.br/dialogospossiveis/artigos/4/06.pdf. Acesso em: 03 de agosto de 2010.


ALUNA: ANDREA DUARTE DE SOUSA
DISCIPLINA: PROJETO PEDAGÓGICO UTILIZANDO FERRAMENTAS DE AUTORIA
ATIVIDADE 1 – DISCUSSÃO: INTERNET LUGAR DE AUTORIA OU DE PLÁGIO?
TURMA: PE04AUT
MEDIADORA PEDAGÓGICA: FLÁVIA RODRIGUES