É necessário conhecer as especificidades dos recursos midiáticos para incorporá-los com objetivos didáticos claros, dando vazão à vivência dos alunos, seus conhecimentos prévios, com mediação adequada do professor que deve valer-se dos recursos disponíveis para implementar uma nova prática construída pelo dinamismo das imagens e sons.
Esta (re)construção só será possível se houver o envolvimento de todos, educandos e profissionais da educação, em busca do reconhecimento mútuo que abra caminhos para experimentação, criação e argumentação que envolva novas formas de pensar e agir, como questiona Grinspun:
Para que serve então uma educação tecnológica? [...] para formar o indivíduo na sua qualidade de pessoa humana, mais crítica e consciente para fazer a história do seu tempo com possibilidades de construir novas tecnologias, fazer uso da crítica e da reflexão sobre a utilização de forma mais precisa e humana, e ter as condições de, convivendo com o outro, participando da sociedade em que vive, transformar essa sociedade em termos mais justos e humanos (2001, p. 29).
É preciso ressaltar que a tecnologia não tem um fim em si mesmo. O seu bom e consciente uso poderá trazer para o processo educativo formas mais criativas na busca do conhecimento. Como discutimos outrora, o fato de utilizar mídias na prática pedagógica não significa a efetiva integração entre mídias e educação. Integrar é impregnado por um sentido mais amplo, de tornar inteiro, de fazer parte do processo de construção do saber.
A educação tecnológica segue o caminho das inovações não como descoberta em si, mas como busca da compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade, oriundos, por sua vez das novas relações sociais (GRINSPUN, 2001, p.57).
Temos que pensar numa educação com objetivos mais amplos, tanto em termos daqueles conhecimentos como, e principalmente, na formação de um cidadão mais crítico e consciente para viver e participar desse contexto, numa visão local, nacional e mundial, numa perspectiva de ação visando à busca de valores comprometidos com uma sociedade mais humana e com mais justiça social (GRINSPUN, 2001, p. 39).
Segundo Soares(2003):Os professores, ainda que capacitados pelos programas de estímulos ao uso de informática na escola, se vêem aprisionados a rotina pedagógica, conteúdos, Parâmetros Curriculares Nacionais aos compromissos com os sistemas de avaliação, e deixam para segundo plano as inovações e a autonomia que a informática poderia trazer ao seu trabalho. Os alunos, por sua vez, ficam na dependência dos professores e da direção para acessarem o laboratório de informática.
Referências Bibliográficas
GRINSPUN, Mirian P. S. Zippin (org.). Educação tecnológica: desafios e perspectivas, 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
SOARES, Suely Galli. Educação e comunicação: o ideal de inclusão pelas tecnologias de informação otimismo exacerbado e lucidez pedagógica, São Paulo:Cortez, 2006.
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