quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ESQUECER PARA VER


"Nietzche, o filósofo que mais amo, disse que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Ensinar a ver? Mas ver não é um ato natural que depende apenas dos olhos? Olhos bons não vêem as mesmas coisas? Willian Blake, poeta inglês, sabia que não é assim: 'A árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê'. Não basta ter bons olhos para ver. Ver não é um processo fisiológico. É um ato poético."

Esse trecho foi retirado do livro: Aprendiz de Mim, Um bairro que virou escola, de Rubem Alves, Editora Papirus, 2008.

Percebo que para inovar na Educação necessário se faz, antes, um novo jeito de olhar, de ver a Educação. De nada adianta utilizar-se das mais diferentes mídias em sala de aula se o que você vê é apenas um método diferente para ensinar as mesmas coisas.

Acredito que a grande vacacio entre a educação e tecnologias esteja ligado a um olhar unilateral ou inexistente do educador para as possibilidades de aprendizagens que as TICs oferecem quando pensadas, discutidas, analisadas e experimentadas. E falando em olhar, recordei-me da música de Chico Buarque, A Banda, que tudo tem a ver com a prática do olhar:

"Estava a toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem.
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que viviia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor.
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela.
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor."

Acredito que o professor possa ser esse diferencial, ser essa "banda" que contagia a todos, indistintamente e faz brotar sonhos. Tenho trabalhado a minha vida toda para ser essa banda, cantando coisas de amor.

Um grande abraço.

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